Tudo o que rolou na gravação do DVD de Ivete Sangalo – IS20

Justamente num dia de grande comoção, em frente à Fonte Nova, no início do Dique do Tororó, as luzes dos famosos postes azuis espalhados pela cidade não funcionaram. Mesmo que um pouco escuro mas de forma muito tranquila, as pessoas foram chegando.

Do lado de dentro, uma multidão esperava Ivete Sangalo para a gravação do DVD de 20 anos de sua carreira (IS20). Uns dizem ter sido 40 mil, outros 60 mil. Não sei. Só sei que, se ela fosse um jogo de futebol, teria lotado toda a arquibancada da Itaipava Arena Fonte Nova. Com muita gente de fora e fãs fiéis, a gravação do DVD movimentou o final de semana na cidade. A casa tava cheia e Ivete não se decepcionou. Talvez se os ingressos estivessem mais acessíveis, mais cheia estaria a sua festa.

Apesar de um breve problema técnico nos telões que se apagaram no meio do show, o que não faltou foi muita luz e muitas cores. E que cores! Se foi ou não de um buraco, como não prometido por ela, pouco importa. Ivete ascendeu. Como previsível, de forma apoteótica. Ivete estava linda. Muito emocionada e levemente nervosa, abriu a gravação do DVD com a música “Tempo de Alegria”, uma canção que tem tanto a ver com seu atual momento e que, de forma indireta e cantada, descreve sua trajetória de sucesso ao longo desses vinte anos, fruto, em grande parte, de seu carisma pessoal.

A roupa da abertura foi linda. Um hot pant preto, blusa de manga comprida rosa, capinha discreta no bumbum e capa nas costas, que logo depois foi tirada. Tudo brilhando muito. O cabelo foi o mesmo para todo o show: solto, levemente ondulado, cheio e num tom marrom. Depois ela confessou que o cabelo não era todo dela… (coisas de Ivete) 🙂 . Com as pernas à mostra, Ivete estava, como sempre, linda!

Na sequência, deu-se um pout-pourri de músicas de AXÉ de sua carreira, que animou e levantou todo mundo. Para fechar este bloco, a primeira participação solo de Bell Marques. Tímido e nervoso, e estreando na carreira solo, nem parecia o Bell que sempre arrastou multidões. Em alguns momentos, esqueceu a letra, cantou baixo, mas Ivete, experiente, sempre tentava levantar o número. Aqui começou a primeira repetição.

Aliás, com exceção de Alexandre Carlo do Natiruts, que quase teve que repetir, todos os outros convidados repetiram o número, mesmo com algumas (aparentemente) singelas e imperceptíveis falhas. Mas Ivete, entusiasmada e empolgada, falava “vamos repetir?”. Experiente e sabendo da importância deste momento único, só sei que ela não deixou a peteca cair em nenhuma dessas repetições. Com muita disposição, paciência e bom humor repetiu cada uma das músicas com louvor.

Bell depois levantou a multidão com a linda “Diga que valeu” e a enjoada “Voa-voa”; foi quando ocorreu a primeira troca de roupa de Ivete.

O segundo bloco foi uma homenagem ao REGGAE MUSIC. Iniciado com uma apresentação percussiva do grupo americano Stomp, Ivete tocou e cantou alguns reggaes e fechou esse bloco com a participação de Alexandre Carlo, vocalista do Natiruts, fazendo uma homenagem a Bob Marley, cantando juntos “Could you be loved”.

Com um macacão verde escuro e uma botinha preta, que tinha tudo a ver a apresentação percussiva, Ivete assim ficou todo este bloco. Apesar da crítica de alguns, achei interessante a permanência da roupa para o contexto da homenagem. Acho que fez uma boa alusão ao verde da bandeira da Jamaica e à proposta despretensiosa desse gênero musical.

Ivete Sangalo

O terceiro bloco foi uma maravilhosa homenagem à BAHIA e ao SAMBA. Com duas imagens incríveis da Igreja do Bonfim ao fundo, Ivete entrou cantando a de tirar o fôlego “Adeus, bye, bye” e senti um quê de homenagem ao Ilê Ayê. Com a participação sempre triunfal do Olodum, arrebatou o público com a antológica “Faraó Divindade do Egito” e a inesquecível “Ladeira do Pelô”. Mais músicas do Olodum, com certeza, era tudo que o público queria naquele momento. Ivete emendou mais músicas de axé e finalizou com “Eva”, conhecida como ‘Minha pequena Eva’, ponto altíssimo do show.

Ivete se emocionou muito nesse momento e emocionou também com suas intervenções, pelo menos a mim. Sempre agradecendo aos fãs por viver “esse sonho lindo”, falou de sua felicidade, do seu atual momento, do seu filho, da Bahia, do amor que ela recebe de tantas pessoas e que faz dela uma “mulher gigante”.

Ainda neste momento, houve a apresentação do saxofonista Paulinho Andrade, seu parceiro na Banda Eva e o dueto de samba com o sempre bem vestido Alexandre Pires.

Num legítimo estilo à baiana, Ivete estava com um longo vestido branco de renda, de mangas bufantes.

Além das cores e artes, de tirar o fôlego, estampadas nos telões; muito legal foram as imagens que passavam ao longo desses 20 anos da carreira da cantora. Eu olhei cada uma delas e me lembrei, na maioria, de cada momento. Foi muito emocionante essa parte também. E para os desavisados, aviso: tinha imagens de Claudia Leitte também, mostrando que Ivete constrói pontes.

O quarto momento começou com Ivete emergindo num mini palco no meio da multidão para frenesi de quem estava na pista. Uma ideia super original e interessante, e que ficou ainda melhor por ela estar com alguns músicos juntos. Lembrou uma daquelas apresentações intimistas, com as pessoas em volta. Foi o momento ROMÂNTICO da noite. Ivete usou um longo vermelho, com fenda e cheio de brilhos e uma flor no cabelo. Cantou “Faz tempo”, “Deixo” e repetiu a uma de suas mais lindas músicas “Quando a chuva passar” também cantada no DVD do Maracanã. De volta ao palco, cantou “Se eu não te amasse tanto assim”. Foi a vez da participação de Saulo Fernandes. De forma angelical e suave, cantaram “Cruisin”, andando de mãos dadas pelo palco. Com a dobradinha de Saulo neste DVD, ficou mais que evidente a amizade e o amor entre os dois. Depois, na canja, Saulo, em sua melhor fase, tremeu a Arena e foi muito aplaudido, cantando seis músicas.

Ivete Sangalo

O quinto e último bloco foi uma homenagem ao CARNAVAL DA BAHIA. Em cima de uma alusão ao trio elétrico, Ivete cantou mais músicas de axé. Com um look que imitava o primeiro, hot pant azul, blusa de manga comprida e capinha no bumbum, Ivete mostrou sua boa forma e encerrou o show, agradecendo muito a todos, mais uma vez. Finalizou com o desejo de muitos soteropolitanos: “Salvador, que Deus abençoe esta cidade”. Foi lindo demais!!!

Ivete Sangalo na Fonte Nova

Após o encerramento, as surpresas não acabaram. No backstage, uma câmara foi acompanhando Ivete desde quando ela desceu do elevador, no final da gravação. E seguiu uma sequência de comemorações com toda sua equipe, parceiros e alguns fãs. Ivete estava eufórica. Mas para surpresa de todos, em tempo real às imagens, Ivete volta ao palco de shortinho jeans cantando. Foi aquele ‘ohhhhhh’ geral. Qual a técnica, o efeito? Bem, pouco importa. Coisas de uma mega produção.

Já era quase meia-noite e depois do dever cumprido, Ivete voltou leve. Cantou um sucesso internacional e o povo pediu “Piriri pompom”. Cantou essa e emendou com “Toda Boa”. Poderia ter sido um agrado às pessoas e o momento da bagaceira e pagode que Ivete tanto gosta mas o barato, sutilmente, foi cortado, pois ela teve que repetir um número do segundo bloco. Muito franca, falou que as pessoas poderiam ir embora que ela não ficaria chateada. Ivete vestiu novamente o figurino do reggae e cantou mais uma música internacional. Aliás, foram algumas músicas em inglês em todo o DVD. Por volta de meia-noite e meia, Ivete comemorou com a equipe no palco e foi cumprimentar os fãs na plateia. Era o fim de uma noite memorável para os que foram assistir e inesquecível para Ivete Sangalo, essa preciosidade da música baiana, que se consolida como uma das maiores cantoras do Brasil!

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