Casaroes de Salvador

Casarões do Centro Antigo/Histórico de Salvador | Pensar Salvador

O Centro Antigo/Histórico de Salvador é o maior conjunto arquitetônico do período colonial da América Latina e foi devido ao reconhecimento desse valor que foi declarado em 1985 como “Patrimônio Cultural da Humanidade” pela UNESCO. Com cerca de três mil edifícios construídos entre os séc. XVI e XIX, nossa intenção neste post é mostrar alguns deles mais de perto. Dar visibilidade. Para os reformados e também para os que estão em ruínas. Porque a gente acredita que esse olhar mais de perto, que quanto mais os baianos e também brasileiros conhecerem, valorizarem e reconhecerem a importância da preservação da nossa história (e que história, meus queridos!), um pouco mais de esperança encherá o nosso coração e o de todos que amam e possuem consciência desse lugar.

Casaroes de Salvador

O Centro Antigo de Salvador corresponde a uma expressão mais abrangente, pois se reconhece a existência de outros “centros” de valor histórico e uma área de maior abrangência, que vai além da denominada “Centro Histórico” (que consensualmente se estende da Praça Castro até o Santo Antônio Além do Carmo). Alguns dos bairros que compõem o Centro Antigo de Salvador, além do Centro Histórico são: Centro, Barris, Tororó, Nazaré, Saúde, Barbalho, Macaúbas, Lapinha, Soledade, parte do espigão da Liberdade, Santo Antônio, Comércio, Calçada e Água de Meninos.⁣⁣

Os Casarões do Centro Histórico e Antigo de Salvador são a verdadeira alma de Salvador, depois do seu povo. Diríamos até que os dois quase se confundem, pois foram neles que a vida das pessoas acontecia e ainda acontece. Depois do fator humano, da nossa cultura viva, nada mais é importante que todo esse sítio histórico, esses casarões, esse berço da civilização da Bahia e do Brasil. Maior sítio patrimonial da América Latina, é este território da capital que resguarda maiores referências e concede sentido de identidade aos seus moradores, além de ser o maior atrativo de Salvador no mercado turístico nacional e internacional. ⁣

→ Casarões do Centro Histórico de Salvador – Comércio

O Comércio é o nosso sonho feliz de cidade. Um Pelourinho de oportunidades. Tudo, tudo, absolutamente, tudo que vemos, vivemos e nos encantamos em outros centros históricos, seja os do Brasil ou os do velho continente; a gente sonha ver, viver e se encantar (ainda mais) aqui. Especialmente porque, além de histórico, este lugar se mostra um pouco mais simpático para o transbordar da vida cotidiana soteropolitana, na rua, no olho no olho, no passo próximo ao outro, seja um outro soteropolitano, um turista, um morador de rua ou um usuário de droga. Um lugar onde razoavelmente tudo e todos se misturam.

É aqui que Salvador precisa renascer e florescer. Primeiramente, para nós, moradores e trabalhadores e para o mundo. O Comércio é o porto marítimo de Salvador. Neste fundamental portal de entrada, centenas de pessoas desembarcam. O primeiro contato com Salvador se dá aqui, nas suas ruas, ares e mares. Lamentamos demais turistas pegarem o Elevador e irem direto pro Pelô, enquanto ruas do Comércio explodem de cultura e história pouco valorizada e conhecida.

Casaroes de Salvador

Não há lugar mais sui generis em Salvador. Para nós, não há região no MUNDO mais rica e bonita que essa. Temos o Porto de Salvador, onde atracam navios nacionais e estrangeiros; o Terminal Marítimo, ponto de embarcações diversas para ilhas, arquipélagos e cidades; um considerável comércio e serviços local; secretarias municipais; Elevadores Lacerda, do Taboão e dois planos inclinados; ladeiras emblemáticas que ligam a Cidade Baixa à Alta; integração ao Pelourinho, Santo Antonio, Praça Castro Alves, igrejas centenárias; a Bahia Marina; o Mercado Modelo; a inenarrável Baía de Todos os Santos.

Casaroes de Salvador

Desde que fizemos nosso primeiro post aqui sobre o Comércio, algumas coisas foram melhoradas: as reformas da Igreja São Pedro Gonçalves e da Praça da Inglaterra; as atuais reformas da Praça Cayru e a dos dois prédios ao lado do Mercado Modelo e algumas de suas calçadas. Porém, repetimos, não se percebe em curso algo maior, planejado, que dê a esse lugar o devido valor, o potencial incalculável que ele possui. Faltam elementos básicos de urbanidade e, a cada dia mais, ações em face do aumento de moradores de ruas.

→ Casarões do Centro Histórico de Salvador – Pelourinho

Eu amo o Pelourinho e falo para o mundo inteiro ouvir! Ainda hoje, algumas pessoas próximas olham pra mim e perguntam o que eu vejo no Pelourinho. Não conseguem acreditar nesse amor e, pior, perceber e reconhecer a importância e o valor desse lugar. No Pelourinho, eu me sinto a mais plena dos turistas, a mais feliz moradora de Salvador, a baiana mais orgulhosa de sua terra. Me sinto segura (de verdade), como em poucos lugares da cidade, livre, apenas sendo, vivendo… caminhando, observando, interagindo, apreciando as belas e coloridas paisagens, a diversidade de atrações, sua gente e visitantes, sentindo por todos os sentidos a mais autêntica e pura cultura baiana. No Pelô, nada de material tem valor.

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Muitos baianos e pessoas de fora ainda insistem em dizer que o Pelourinho é feio, sujo ou perigoso. Nossas reais considerações, que conhecemos e habitualmente frequentamos o Pelô: o Pelourinho é lindo demais, é um orgulho que o coração do nosso Centro Histórico pulsa e vibra ardentemente. Existem casarões em ruínas/fechados no Pelô? Lamentavelmente, sim. Há muita área, ruas quase inteiras no seu arredor abandonadas, mas são a menor parte e a parte reformada é muito superior. O Pelourinho não é sujo, entretanto, em locais mais abandonados, uma coisa leva a outra. E não é perigoso. Gente andando na rua, sabe o isso significa, né? Ademais, viaturas e policiais fazem a segurança do local, todos os dias. Fazemos um porém quanto aos estacionamentos, que infelizmente, não podemos dizer o mesmo. Quanto a alguns ambulantes, a gente já fez até um post aqui falando sobre, eles continuam chatos e inconvenientes, mas isso não quer dizer perigoso.

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No mais, praças, cores, sabores, igrejas, museus, cafés, bar, restaurantes, músicas, percussão, batidas, ladeiras, muita baianidade, o Carmo, o Santo Antônio, o Comércio, a Praça Castro Alves, Tomé de Sousa e da Sé, a Av. Sete, a Carlos Gomes, a Barroquinha, o Taboão e a Baixa do Sapateiro logo ali. A Cruz Caída, o Elevador, o plano inclinado Gonçalves, o pôr do sol e a vista para a baía em dois românticos belvederes…

→ Casarões do Centro Histórico de Salvador – O outro lado em ruínas

Como falamos acima, o Centro Antigo/Histórico de Salvador abriga belíssimas e marcantes obras arquitetônicas, um verdadeiro patrimônio a céu aberto. Além do Pelourinho, localidades adjacentes guardam parte desse patrimônio arquitetônico do período colonial, um vasto sítio com construções de valor excepcional. Entretanto, parte considerável dessa riqueza histórica de Salvador, da Bahia e do Brasil está em ruínas, prestes a desaparecer por completo. E junto com ela noções de identidade, pertencimento e memória, fundamentais na formação pessoal e cidadã de qualquer povo. Perdas dolorosas, eternas e irreparáveis. ⁣

Casaroes de Salvador

Há quem consiga ver beleza e graça em casarões em ruínas, ainda que uma singela e destoante arte na sua frente tente amenizar a situação. Infelizmente, não conseguimos e não estamos aqui para romantizar problemas graves de Salvador, especialmente, os seus mais sensíveis porque eles nos doem fundo e não tem paliativo que dê jeito. Muitos casarões precisam ser preservados e a gente reconhece também essa dificuldade. São situações complexas e diversas: proprietários que deixam abandonados, que só pensam em especulação imobiliária, que não tem condições de atender certas exigências; outros sem ou com donos desconhecidos; herança sem herdeiros; tombamento sem cláusulas amarradas; anos na justiça aguardando desfecho, endereço não catalogado corretamente; etc.

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A celeuma é grande mas os poderes extroverso e de império do Estado existem para favorecer a resolução dessas questões. Endurecimento de regras, multa, perda de posse, desapropriação, restauração. Mudança na legislação. Nem tudo é culpa do Estado e de suas diferentes esferas, gestões e instituições. Mas boa parte, é. Infelizmente, não existe vontade política, união política de governantes, políticas públicas, maior e efetiva atuação de órgãos responsáveis nas esferas municipal, estadual e federal… Iphan, Ipac, Ministério Público, diversas secretarias municipais e estaduais, Câmara Municipal, Assembleia Legislativa, o prefeito, o governador, deputados federais e senadores.⁣  Décadas de descaso político com nossa história, cultura, urbanidade e turismo não podem ser nunca relevado, escondido ou esquecido.

Casaroes de Salvador

A ausência por décadas de uma política de governo bem pensada e efetiva para todo o Centro Antigo/Histórico de Salvador trouxe nefastas consequências para parte do seu patrimônio arquitetônico. Muito mais que fazer algo pontual ou isolado, é preciso ações contínuas e abrangentes em diversas esferas.

Casaroes de Salvador

Em paralelo, vale a atenção para duas situações: a falta de fiscalização quanto à descaracterização de fachadas de alguns casarões (na Praça da Sé tem um caso, o casarão recentemente reformado ao lado da Igreja da Conceição da Praia e o Boteco do França, no Rio Vermelho, por exemplos) e o uso de cimento e ferro para conter desabamentos, uma agressão enorme, que realmente não sabemos o que é menos pior. Para finalizar, um sopro de esperança: o programa “Revitalizar” busca estimular a requalificação de imóveis localizados no CHS, com benefícios fiscais previstos na Lei n° 9.215/2017.⁣ Urge, é preciso muito, muito mais.

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