2 de julho

Comemorações ao 2 de Julho – O que é, como foi, o que esperar das próximas

Os baianos já assimilaram a importância do 2 de Julho para a Bahia e seu significado na Independência do Brasil; portanto, vamos, de forma resumida, recapitular. Em 2 de julho de 1823 ocorreu a independência do Brasil na Bahia e a separação definitiva do Brasil do domínio de Portugal, visto que mesmo após a independência oficial do Brasil (7 de setembro de 1822), a revolução baiana (que começou em 19 de fevereiro de 1822, portanto bem antes da independência oficial) foi essencial para expulsar as tropas portuguesas que ainda ocupavam algumas províncias brasileiras. 

Em Cachoeira, cidade do Recôncavo Baiano, em 25 de junho de 1822, iniciou-se o movimento que culminou na proclamação de Dom Pedro I como imperador e, como forma de reconhecer a importância do município nas batalhas travadas pela conquista da independência do Brasil; desde 2007, no dia 25 de junho, ocorre a transferência simbólica da sede do Governo da Bahia, data essa que também marca o início dos festejos do 2 de Julho em Salvador.

A Batalha de Pirajá, travada na área de Cabrito-Campinas-Pirajá, é a principal batalha pela independência, liderada pelo francês veterano em guerras, General Labatut, quando os baianos venceram as forças do colonialismo português. No dia 1º de julho, véspera do desfile, o bairro de Pirajá recebe o fogo simbólico da independência vindo da cidade de Cachoeira.

No dia 2 de julho, auge das comemorações, o cortejo sai do Largo da Lapinha em direção ao Terreiro de Jesus, Centro Histórico de Salvador, com as imagens do Caboclo e da Cabocla, símbolos da luta pela Independência. A figura do índio se dá pelo fato dele representar o “verdadeiro brasileiro”.

Entre outros personagens e símbolos da luta pela independência da Bahia, estão Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica, que, apesar de lutarem pelo mesmo objetivo, não chegaram a se encontrar, pois estavam em diferentes frentes. Vale o destaque para Maria Quitéria, que se alistou como homem, lutou a guerra inteira e ainda sobreviveu para contar história e é reconhecida como a primeira mulher a entrar em combate pelo Brasil.

→ Feita essa breve contextualização histórica, vamos falar agora sobre nossas impressões do Desfile do 2 de Julho de 2019.

Antes de tudo, é preciso destacar a importância dessa tradição em Salvador e até mesmo no Brasil, visto que não há ritual semelhante em nenhuma outra cidade brasileira. Reconhecer e homenagear heróis de guerra (e até mesmo anônimos), pessoas que com atos de bravura e sacrifício não mediram esforços para lutar por liberdade e defender seu país é preservar e cuidar da nossa memória e história.

O hasteamento das bandeiras de Salvador, da Bahia e do Brasil, ao som do hino do Brasil, e a colocação de flores no monumento aos Heróis da Independência, ao som do hino da Bahia por autoridades locais, possuem uma simbologia forte e importante, mesmo que naquele momento tudo pareça um pouco disperso, confuso e sem unidade.

E quer saber? O propósito da homenagem no Largo da Lapinha em nada difere das muitas que são feitas por Chefes de Estado, em diversos países, em datas marcantes de suas histórias. Pouca gente pode se dar conta o quanto isso é significativo. Para mim, foi emocionante e muito gratificante ter visto essa raridade na Bahia. Tudo feito do nosso jeito, ao nosso modo, na nossa pequenez e relativa falta de organicidade.  

Após esses dois atos formais, é iniciado o cortejo e o maior destaque são os carros do Caboclo e da Cabocla, lindamente enfeitados como os símbolos da luta pela Independência. O que se segue é uma diversidade de grupos, pessoas e interesses. Pequenos grupos das Forças Armadas, políticos eleitos e aspirantes, partidos políticos, bandas amadoras e experientes de fanfarra, batucadas, grupos organizados diversos e muitos protestos individuais e coletivos. De todos os tipos, categorias e causas… LGBT, animais, servidores públicos, desmatamento, ciência, educação, política, etc.

De forma geral, o sentimento cívico que a data inspira não é tão vivido pelos participantes. Com exceção dos atos solenes iniciais e das pessoas que efetivamente desfilam representando alguma instituição; há poucas casas enfeitadas e pessoas com bandeiras da Bahia, do Brasil, vestidas a caráter ou genuinamente no espírito patriótico do dia. Claramente se percebe que muitas pessoas estão ali por uma discreta imposição política, com camisas padronizadas para verem e serem vistas. E, de fato, muito mais que um evento de estado, o desfile é um grande palco político, com muita gente manifestando seus posicionamentos e políticos sentindo o termômetro para as futuras eleições.

Para quem só quer viver o 2 de Julho, saiba que o desfile é muito bacana, bonito, colorido e grandioso. O percurso não é tão longo como o da Lavagem do Bonfim e andar pelas ruas do Centro Antigo de Salvador, tendo contato vivo e intenso com a nossa gente, costumes, com a nossa história é o maior e melhor dos presentes, do início ao fim!

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