Fortes de Salvador

Fortes de Salvador: conheça 6 dos 11 fortes que ainda restam na cidade

Nós falamos nesse post que Salvador já teve 20 fortes sendo que 11 deles ainda restam na cidade e, ainda assim, essas fortificações constituem o maior acervo arquitetônico do gênero militar, colonial e urbano do Brasil, concentrado numa única cidade. Vamos conhecer seis desses fortes?

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1. Forte de Santo Antonio da Barra (Farol da Barra)

Localizado na ponta da divisa entre a orla atlântica e a enseada da Baía de Todos os Santos (antiga Ponta do Padrão), o Forte de Santo Antonio da Barra proporciona uma bela vista do oceano e é impossível ficar indiferente à sua imponência e elegância do seu traçado. Essa é a mais antiga edificação militar do Brasil (1534), o farol original foi instalado em 1698 a uma altura de 37 metros do nível do mar, e foi o primeiro farol das Américas.

Fortes de Salvador

Entre os séc. XVII e XVIII, o forte recebeu a forma irregular de estrela, com quatro faces reentrantes e seis salientes. Era a nova linha de arquitetura militar portuguesa. O óleo de baleia alimentava lampiões que sinalizava aos navegantes a entrada da baía. Reformas transformaram o farol em 1839, 1890 e 1937, quando foi eletrificado e retirada a instalação incandescente a querosene. Hoje o alcance luminoso é de 70 Km para a luz branca e 63 Km para a luz encarnada.

Devido à forte inclinação católica, que costumou o Brasil a conviver com a presença da Igreja, uma curiosidade super interessante do forte é a adoção como primeiro padroeiro de Salvador e a patente militar, no grau de soldado, concedida à imagem do Santo Antônio. O Santo, quer dizer, a sua imagem, ganhou promoções e vencimentos correspondentes durante séculos, e só teve seu soldo cassado em 1912, quando já detinha o posto de tenente-coronel.

Além do farol, são atrações do forte o Museu Náutico da Bahia e um Café. A subida à torre do farol possui tranquilos 94 degraus e é bem legal; o topo permite vistas panorâmicas da Barra e do mar e é possível ver de perto o maquinário centenário do sistema de iluminação do farol.

Fortes de Salvador

Não deixe de observar a bandeira do Brasil Império na entrada do forte. A Cruz acima da Coroa Imperial significa que Deus está acima do Imperador.

Fortes de Salvador   Fortes de Salvador

Acesso ao farol, museu e à torre: R$15. Naturais e moradores de Salvador com comprovante: R$5. Funcionamento: ter/qua/dom, 9h às 18h. Qui/sex/sab, 9h às 21h. Seg: fechado. Acesso à torre do farol, 9h às 17h15min.

2. Forte de Santa Maria

A primeira vez que vi (e isso nem faz tanto tempo) projeções de Pierre Verger na parede frontal do Forte de Santa Maria, parei estática e incrédula, repetindo silenciosamente, “Meu Deus, é isso que eu sonho para Salvador”. Um mapping tão delicado, com um som e imagens tão baianas… às vezes é preciso mesmo se inebriar em algo que é nosso pra a gente se sentir numa outra dimensão.

 

Todos os dias (menos terças), das 18h às 19h, na área externa do forte, não deixe de conferir essas maravilhosas projeções. Uma experiência sensorial, marcante e encantadora, com uma trilha sonora afro do passado e som de atabaques. Não são apenas as obras de Verger que são expostas mas as dele realmente são as mais emocionantes.

O Forte de Santa Maria é de 1614, sendo uma das mais antigas construções arquitetônicas da cidade. Além de abrigar o Espaço Pierre Verger da Fotografia Baiana, o forte possui um vão aberto, em que é possível apreciar outros ângulos da Baía de Todos os Santos. Pequeno, delicado, gracioso, esse é um dos muitos tesouros inestimáveis de Salvador! ♥️

3. Forte de São Diogo

A tomada de Salvador, então capital do Brasil, pelos holandeses, em 1624, demonstrou a fragilidade da defesa da cidade. Portugal e, consequentemente, o Brasil, estava sob o domínio da Espanha (a chamada União Ibérica). Felipe IV, rei daquele país, inimigo pessoal dos holandeses, mobilizou então uma enorme flotilha de guerra que conseguiu retomar a cidade, um ano depois.

Não se dando por vencidos, os holandeses realizaram sucessivos ataques no sentido de retomarem a “cabeça” do Brasil. Procurando evitar isso, a Espanha executou um sistema de defesa, dotando a cidade de fortificações, distribuídas ao longo da Baía de Todos os Santos, Barra e Itapagipe. Em curto espaço de tempo, dezenas de fortes formaram um verdadeiro cordão de fogo, tornando Salvador a cidade mais protegida das Américas. Depois destes fortes, a cidade nunca mais foi invadida.

O Forte de São Diogo surgiu justo nesse contexto. Foi edificado entre os anos de 1626 e 1635, após a expulsão dos invasores holandeses (1624-1625). Sua posição no terreno e bateria de canhões inibiu nova incursão estrangeira pelo Porto da Barra, em 1638, por constituir um sistema de defesa em conjunto com o Forte de Santa Maria. Seu atual traçado curvilíneo ganhou contornos no início do séc. XVIII.

A vista do forte para o Porto da Barra é lindíssima e há três níveis para apreciar o pôr do sol simplesmente arrasador. Assim como no Santa Maria, a partir das 18h rola mapping lindíssimo na fachada do forte de obras de Carybé, o artista que traduziu com brilhantismo a alma da Bahia!


O acesso ao Forte, à Loja e ao Café é livre. Para visitar o Espaço Carybé de Artes, o ingresso custa R$20 (inteira) e R$10 (meia) e é válido também para visita ao Espaço Pierre Verger de Fotografia Baiana (Forte de Santa Maria).

4. Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat

Construído numa enseada no então limite norte de Salvador, entre 1583 e 1587, o Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat sucedeu ao primitivo Fortim de São Filipe, com forma de um hexágono irregular com torreões circulares nos ângulos, recobertos por cúpulas. Uma ponte levadiça entre a rampa e o terraço configurava o primitivo fortim, e no térreo, dois quartéis rodeava a entrada.


Em maio de 1624, o forte se envolveu nos confrontos inerentes à invasão na Bahia e impediu o desembarque dos holandeses mas acabou sendo tomado pelos inimigos em nova investida contra a cidade. O Governador-Geral, Diogo de Mendonça Furtado foi aprisionado e conquistada a capital do Estado do Brasil e estabelecido um novo governo pelo fidalgo holandês Johan Van Dorth. Na frente do forte, há uma placa que recorda aos visitantes: “Aos 17 de julho / de 1624 foi / morto neste / sítio o gene / ral hollandez / João van Dorth).

O Forte de Monte Serrat tem expressiva importância histórica, com participação indireta na Sabinada e na Questão Christie no séc XIX. Há até registro que, em 1859, o forte foi visitado pelo Imperador Pedro II do Brasil, que registrou em seu diário de viagem: “28 de Outubro (…) fui ao forte de Monserrate que jaz abandonado, tendo se picado a inscrição que existia sobre o portão. Tem bela vista e o [engenheiro André] Przewodowski, que mora perto, disse que ninguém morreu ainda aí de febre amarela ou de cólera.” (Fonte: Fortalezas.org)

Esse forte é mais um tesouro especialíssimo de Salvador! Um exemplar de arquitetura militar abaluartado (= “traçado italiano”, “fortificação em estrela” ou “fortificação à moderna”), sendo considerado a mais antiga fortificação brasileira com configuração original e uma das melhores obras militares do Brasil Colônia.

Com instalações simples, no forte há vários quadros sobre o Sistema Defensivo de Salvador, a invasão holandesa na Bahia, bandeiras históricas do Brasil, etc. Um verdadeiro alento histórico!

E a vista para as imensidões da baía e de Salvador é de em-bas-ba-car! Aberto de seg à sex, 9h às 16h. Gratuito.


5. Forte de São Marcelo

Inspirado no Castelo de Santo Ângelo (Itália) e na Torre do Bugio (Portugal), o Forte de São Marcelo, também conhecido como “Forte do Mar” (já foi designado também de Forte de Nossa Senhora do Pópulo), situa-se sobre uma coroa de areia a 300 metros da costa da Baía de Todos os Santos, em frente ao coração do Centro Histórico de Salvador. Com forma circular e estilo renascentista, sua edificação toda em madeira ocorreu em 1623 e conta com 2.500 m² de área construída e, por razões de segurança, apenas trezentas pessoas podem circular nele ao mesmo tempo.

Fortes de Salvador

O Forte de São Marcelo já foi palco de diversos confrontos ao longo da história. Em 1912, por uma ação truculenta do, então, Presidente Hermes da Fonseca, o Forte voltou seus canhões para a própria cidade que deveria proteger e a bombardeou impiedosamente por cerca de quatro horas, no trágico episódio conhecido como Bombardeio de Salvador; que nos custou o Palácio dos Governadores, o Theatro São João, a antiga Sé Primacial e a Biblioteca Pública.

Por ser “mais novo”, o forte apresenta o brasão imperial mutilado pela República sobre o Portão de Armas e devido à sua localização, beleza e originalidade foi denominado por Jorge Amado como o “Umbigo da Bahia”.

Fortes de Salvador

Após algumas reformas que o deixaram milhões mais caro, novas deteriorações, e tímidas aberturas para atividades culturais, lazer e turismo, atualmente, o futuro do forte segue incerto. Há oito anos fechado, segundo informações que colhemos por telefone no IPAC-BA, há um processo de parceria para escolha de uma empresa para operar na breve travessia de barco até o forte.

A volta do funcionamento desse tesouro histórico quatrocentão e ~inestimável~ do Brasil e de Salvador e a consequente e urgente dinamização da área ao seu arredor, coaduna-se com o nosso post da semana passada sobre essa região do frontispício, e faz parte de um pouco de tudo que sonhamos para esta cidade!

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6. Forte de Santo Alberto, Torre de São Tiago ou Fortim da Lagartixa

O Forte de Santo Alberto remonta à antiga Torre de São Tiago e sua atual edificação data de 1694. Com a vitória brasileira na Guerra da Independência (1822-23), é o Forte de Santo Alberto quem, em 02/jul/1823, dá o tiro autorizando o embarque das forças para Portugal. Afastado do mar pela ampliação do porto de Salvador, após a 2ª Guerra Mundial, abrigou o Serviço Veterinário do Exército. Contemporâneo ao Forte de Santo Antônio Além do Carmo, protegia o ancoradouro e a aguada das embarcações em Água de Meninos.

Localizado em frente à entrada do Ferry-Boat, o Forte de Santo Alberto é quase um ilustre desconhecido de Salvador. Fechado e tomado por carros, vive quase um ostracismo. Não tivemos informações sobre o que tem dentro.

Aqui encerramos nossa primeira série de posts sobre os atuais Fortes de Salvador. #ASalvadorQueSonhamos é que, assim como diversas rotas de castelos na Europa, tenhamos aqui tb nossa ilustre rota, a Rota dos Fortes! Em breve, nossa segunda série sobre os demais fortes da cidade: Barbalho, Santo Antônio Além do Carmo, São Pedro, São Paulo da Gamboa e Aflitos.

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