Palácio Rio Branco

Hotel instalado no Palácio Rio Branco? | Pensar Salvador

Enquanto o mundo lamenta a perda acidental de um importante monumento histórico, por aqui, a gente ~parece~ querer entregar a pouca história que nos resta de forma intencional. A notícia sobre a possibilidade do Palácio Rio Branco abrigar um hotel não é novidade. Apesar da equipe do Governo do Estado dizer que o projeto é “embrionário”, ambas as partes já demonstraram interesse e o grupo português Vila Galé tem feito inspeções, análises e medições nas dependências do prédio para formular uma proposta de ocupação ao governo da Bahia, que já sinalizou que cederá este e outros prédios históricos a grupos hoteleiros interessados em se instalar naquela região.

A ideia de hotéis ou outros interessados ocuparem prédios no Centro Histórico de Salvador, como foi o caso do Fera Hotéis e do Fasano, é tão maravilhosa que nos faz sonhar acordados que essa área, um dia, atinja a sua real grandeza e plenitude, aos olhos e coração de todos os baianos e do mundo.

Mas o Palácio Rio Branco não é um prédio qualquer, é único e não está abandonado. Encontra-se no lugar previsto por Luis Dias em 1549 para o Palácio dos Governadores e conta a história da Bahia. Foi moradia e governadoria até 1912 e governadoria até 1970. Tem um acervo de relíquias históricas. Hospedou D. João VI, de Portugal, com parte da família real (1808), o imperador D. Pedro I, a imperatriz Leopoldina e a princesa Maria da Glória, futura rainha de Portugal (1826), D. Pedro II e a imperatriz Tereza Cristina (1859) e a rainha da Inglaterra Elizabeth II (1968).

Ainda que não existissem outras opções, nada justificaria o desvirtuamento histórico de um patrimônio público dessa envergadura. O porém é que em todo o Centro Histórico de Salvador há diversos prédios, grandes, igualmente belos e históricos, que gritam para serem restaurados e ocupados.

Definitivamente, o Palácio Rio Branco não carece de virar hotel. Carece de ser preservado e ter um destino à altura da sua história, como uma Biblioteca Pública, um Arquivo, um Museu Estadual ou Nacional, um lugar protegido por pessoas que tenham noção do que é a Bahia ou o Brasil. Em Notre-Dame, eles têm o mundo para ajudá-los, aqui, só somos nós. Precisamos nos unir para impedir tamanha insanidade.

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