Cheiro de Amor 1998

Carnaval de Salvador 1998 | Lembranças de um Carnaval…

O ano era 1998, ainda adolescente, era o meu segundo ou terceiro carnaval. Foi neste ano que pude observar, viver e sentir dentro de mim toda a grandiosidade do Carnaval de Salvador. Após pagar pesadas parcelas, estava no Cheiro de Amor, no ano das fantasias futebol, hippie e country. O furacão Marcia Freire já havia passado e era impossível não se encantar com a simpatia e doçura de Carla Visi, que desde o início já mostrava o seu estilo musical, bem mais tranquilo.

Vinte anos se passaram e tudo ainda permanece na memória. A arrepiante saída do Chiclete com Banana cantando suas músicas mais suaves. Ivete Sangalo, a linda estrela que despontava. Falante, cumprimentava a todos e dava detalhes do seu dia.

Poucas vezes senti na vida a mesma emoção do momento em que o bloco fazia a curva para entrar no Campo Grande. Uma maré louca de quase 4.000 pessoas se apertando para conseguir fazer a bendita curva e ainda querer aparecer na câmera da TV Bahia que ficava justo nesse lugar. Carla Visi entoava “Sim, é um jardim mui delirante…” e o bloco no coro “ôôô cheiro de amor…”. Era a década de 90. O auge da Axé Music, dos blocos, das estrelas do axé, do estrondoso e inacreditável Carnaval da Bahia.

A vontade era de parar o tempo, pois cada segundo no circuito do Campo Grande era único e inesquecível. Eu me arrepiava do início ao fim. Os camarotes, a aquibancada, as emissoras de TV, as centenas de rostos felizes, o banho de mangueira, a Casa de Itália, a descida pela Av. Sete, a Praça da Piedade, o Relógio de São Pedro… tudo ainda está aqui. Chegar à Praça Castro Alves e as pessoas terem que descer do trio e do carro de apoio para eles conseguirem fazer a curva da Sulacap e subir a Av. Carlos Gomes. Os becos que ligavam as duas avenidas tão repletos de pessoas, os velhos prédios comerciais que compunham a paisagem, as pessoas com tantas faixas nas sacadas… tudo ainda vive.

Um dia, após mais de seis horas de percurso, o bloco cruzou na Casa de Itália com o início do bloco Beijo do Netinho. Lembro que fiquei perplexa com a energia absurda dele e do bloco àquela hora da noite, descendo com aquela (outra) multidão. No terceiro dia o Cheiro desceu para a Barra com a banda Colher de Pau, algo bem diferente e inovador. Descemos a Ladeira da Barra, passando pelo Porto, Farol, até terminar em Ondina. Queee dia!

Só quem viveu encontros de blocos sabe o que é aperto. Em vários momentos, como numa onda que você não controla, uma maré de gente é jogada de um lado para o outro, para frente e pra trás. Minutos em que a multidão está completamente à mercê dela mesma. Esse foi o ano da “Dança da Manivela” e “Latinha”, que merecidamente levou o troféu de melhor música. Como esquecer sua coreografia?

Tudo que senti, vi e vivi nesse carnaval, desejei que o mundo inteiro visse, sentisse e vivesse também. Eu achava que aquela era a melhor experiência do planeta Terra, a melhor coisa do mundo, e eu queria que todas as pessoas viessem para Salvador e sentissem a magia desta cidade, da nossa música, do nosso carnaval.

A paixão pelo carnaval, por nossa música e nossa cultura permaneceu e permanece sempre viva. Muitos outros carnavais vieram, cada um do seu jeito e emoção diferente. Muita coisa mudou e vai continuar mudando. Mas absolutamente nada muda no coração saudoso e nostálgico de quem viveu seus tempos áureos!

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